Tenho lido muito pouco sobre essa guerra em Gaza. Quando preciso, venho aqui e pego minhas opiniões sobre o assunto (os 70% que entendo, leia-se). Mas, no trabalho, é sair um pouquinho da sala e encostar na turma informada do cafezinho pra ouvir as várias conversas que começam com descrição de garotinhas mortas em Gaza e terminam com coisas como “eles são assim mesmo, os judeus, desprezam o que os outros pensam, se isolam, usam o poder do dinheiro para conseguir as coisas”. Às vezes vem disclaimer depois – “é claro que não tenho nada contra judeus, pelo contrário – tenho vários amigos judeus. Mas eles são diferentes, sempre se isolam, olham pra gente de cima”.
Olha só: quer dizer que Moisés escreveu o Pentateuco porque tava de ovo virado, tudo bem. Que Woody Allen é um peganínguem que usa seus filmes pra dar uma ursada em gatinha, belêusis. Quer continuar e dizer que Bashevis Singer é repetitivo, que Vladimir Horowitz tocava mal, que varenique é ruim, e que bom mesmo é bife à milanesa com queijo, vai que é sua (sim, você é um idiota, mas vai que é sua). O que não pode fazer, companheiro, é sair por aí dizendo que o ovo de Moisés virou porque tinha que virar mesmo, já que o DNA dele descansava no sábado. Ou que Jesus, esse grande maniqueísta (espero que sem nuances), dizia por aí coisas como “não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (são palavras dEle) porque tinha sangue de judeu belicista. Ou que seu discípulo, Tiago, escreveu aqui que “amizade com o mundo é inimizade com Deus” porque tinha um pé na yeshiva e, por isso, gostava de se isolar.
Quer um conselho? Se for falar da menininha de Gaze no café, pense no ovo de Moisés. Pratique como rule of thumb. Só tome cuidado para não falar “SACOzy” ao lamentar o fracasso das tentativas de cessar fogo. Vai revelar o truque.
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A propósito – não consigo entender como este lixo faz sucesso nos círculos libertários. Ou consigo? Engraçada é a recomendação ao final: “next time a swaggering oaf like Frum, Kristol or Podhoretz opens their mouth, stuff a bag of rotten eggs into it”. Nem precisa pensar no ovo de Moisés ao escrever o próximo artigo, Taki (saiam da sala agora, meninas) – cheira o meu que tá bom.
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Que fique bem claro: não compro nem por R$2 as idéias do Kristol. Nem do Podhoretz. A banda deles passou e só fez estrago. É xêpa. Meu problema é apenas com o antissemitismo explícito desse Taki decrépito (leiam o artigo e confiram).