Ovalo, o paralógico (#01)


O Marginal Revolution propõe a seguinte questão (emprestada de um post de um tal Ben Casnocha, que não conhecia):
“Você confiaria menos em seu sócio se descobrisse que ele trai a esposa constantemente?”
Sem teoria, de bate-pronto, diria que não, não confiaria menos num sócio que trai a esposa. Não acho que o sujeito nasça com inclinação a trair qualquer um, em qualquer ocasião, bastando que haja benefício na mesa. Conheço gente da pá virada que é exemplar no trabalho, assim como gente que mete a faca em colega mas parece viver muito bem em família. As duas coisas não parecem ter relação.
Seria diferente, óbvio, se a pergunta fosse algo do tipo: “o cara que traiu suas últimas três mulheres tem mais propensão a trair a quarta do que o marido que nunca traiu ninguém teria de trair sua esposa?”. Lógico que tem. A mesma coisa eu diria de um sujeito que ferrou seus últimos três sócios: é quase certo que ferrará o quarto também.
Tenho lido muito pouco sobre essa guerra em Gaza. Quando preciso, venho aqui e pego minhas opiniões sobre o assunto (os 70% que entendo, leia-se). Mas, no trabalho, é sair um pouquinho da sala e encostar na turma informada do cafezinho pra ouvir as várias conversas que começam com descrição de garotinhas mortas em Gaza e terminam com coisas como “eles são assim mesmo, os judeus, desprezam o que os outros pensam, se isolam, usam o poder do dinheiro para conseguir as coisas”. Às vezes vem disclaimer depois – “é claro que não tenho nada contra judeus, pelo contrário – tenho vários amigos judeus. Mas eles são diferentes, sempre se isolam, olham pra gente de cima”.
Olha só: quer dizer que Moisés escreveu o Pentateuco porque tava de ovo virado, tudo bem. Que Woody Allen é um peganínguem que usa seus filmes pra dar uma ursada em gatinha, belêusis. Quer continuar e dizer que Bashevis Singer é repetitivo, que Vladimir Horowitz tocava mal, que varenique é ruim, e que bom mesmo é bife à milanesa com queijo, vai que é sua (sim, você é um idiota, mas vai que é sua). O que não pode fazer, companheiro, é sair por aí dizendo que o ovo de Moisés virou porque tinha que virar mesmo, já que o DNA dele descansava no sábado. Ou que Jesus, esse grande maniqueísta (espero que sem nuances), dizia por aí coisas como “não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (são palavras dEle) porque tinha sangue de judeu belicista. Ou que seu discípulo, Tiago, escreveu aqui que “amizade com o mundo é inimizade com Deus” porque tinha um pé na yeshiva e, por isso, gostava de se isolar.
Quer um conselho? Se for falar da menininha de Gaze no café, pense no ovo de Moisés. Pratique como rule of thumb. Só tome cuidado para não falar “SACOzy” ao lamentar o fracasso das tentativas de cessar fogo. Vai revelar o truque.
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A propósito – não consigo entender como este lixo faz sucesso nos círculos libertários. Ou consigo? Engraçada é a recomendação ao final: “next time a swaggering oaf like Frum, Kristol or Podhoretz opens their mouth, stuff a bag of rotten eggs into it”. Nem precisa pensar no ovo de Moisés ao escrever o próximo artigo, Taki (saiam da sala agora, meninas) – cheira o meu que tá bom.
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Que fique bem claro: não compro nem por R$2 as idéias do Kristol. Nem do Podhoretz. A banda deles passou e só fez estrago. É xêpa. Meu problema é apenas com o antissemitismo explícito desse Taki decrépito (leiam o artigo e confiram).
E Samuel Joseph Wurzelbacher, o saldözo “Joe the Plumber” (aquele da campanha), viajará para Israel para cobrir a guerra em Gaza como correspondente do Pajamas Media (na palavras da grande Leci Brandão, “um luxo de site”). O Yahoo! News diz aqui que Wurzdsyufrgyyuarwgf vai passar 10 dias por lá para garantir que o “Average Joe” israelense possa apresentar o seu lado da história.
Não conhecia a história desse Raghuran Rajan, gloriöso gajo. Em 2005, num evento em homenagem ao Alan Greenspan – à época, quase o Messias; nowadays, a encarnação do Anticristo -, Raghu desceu a lenha na invencionice financeira que, segundo ele, poderia vir a provocar uma crise econômica sem precedentes. Depois de ouvir o argumento, a tchurma presente ao evento (Lawrence Summers entre eles) baixou o porrete em Raghu pela dupla blasfêmia: apontar, mesmo que indiretamente, falhas na gestão do “Ungido”, e sugerir, de forma não muito sutil, que os mercados financeiros precisariam futuramente de uma mão bem visível do Banco Central para não descambar no caos. As it turns out, Rajan tava certo, a audiência errada, e eu, que em 2005 estava no bem-bom viajando por aí, agora tenho que ficar até de madrugada lendo sobre essa maldita crise que ninguém entende. Cisne negro nos olhos dos outros é refresco.
A gente vai seguindo, seguindo, e de repente descobre que é uma coisa separada, que não se confunde com os outros.
Preciso encontrar algum uso para todos esses livros sobre a governo Busha.
Li a dica no Daily Dish e fui à National Review conferir uma discussão maluca sobre o suposto Maoísmo do Obama:
Second, and relatedly, Obama’s radicalism, beginning with his Alinski/ACORN/community organizer period, is a bottom-up socialism. This, I’d suggest, is why he fits comfortably with Ayers, who (especially now) is more Maoist than Stalinist. What Obama is about is infiltrating (and training others to infiltrate) bourgeois institutions in order to change them from within — in essence, using the system to supplant the system. A key requirement of this stealthy approach (very consistent with talking vaporously about “change” but never getting more specific than absolutely necessary) is electability.
Nossos pirados são muito melhores. Na boa. Um trechin’ de exemplo:
Que essa candidatura [i.e., a do Obama à presidência dos EUA] desperte o entusiasmo de todos os grupos pró-terroristas e partidos comunistas do mundo não prova uma “conspiração” em sentido estrito – tecnicamente, nenhum movimento histórico de amplitude mundial pode ser chamado uma “conspiração” –, mas também não pode ser uma inocente coincidência ex post facto. Obama nasceu desse meio, alimentou-se dele, e o aplauso que daí recebe é apenas o reforço final necessário para que a ambição longamente acalentada de destruir os EUA desde dentro (e desde cima) deixe de ser apenas um sonho de mentes malignas e se torne uma temível realidade.Ahmadinejad tem razão: a eleição de Obama, se acontecer, será o sinal verde para a conquista da América pelo Islam revolucionário e seus parceiros comunistas, como a sedução da alma do príncipe Charles por um guru muçulmano, mais de vinte anos atrás, – ignorada pela mídia até hoje – foi o início da conquista da Inglaterra. Esta geração dificilmente passará sem que o mundo veja a autodissolução da Igreja anglicana e sua transformação em entreposto do islamismo. Mas talvez passe sem que os EUA – e portanto Israel – consumem sua rendição sacrificial ante o altar de seus inimigos. A presente eleição americana não é o último lance dessa disputa, mas é certamente um dos mais decisivos.
É coisa nossa, amigo. Não tem pra ninguém.