“Tenho vos dito isto para que a Minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (João 15:11)
Eu topei com essa passagem no Evangelho de João e fiquei surpreso. São palavras de Jesus aos discípulos. Tô tão acostumado a pensar em Jesus como um homem triste, desprezado, sofredor, que nunca tinha me dado conta de que talvez Ele fosse um homem… feliz!
Viajar a trabalho é o último passo em direção à velhice. Sério. Estou aqui em Toronto, sentado na mesa do quarto de um hotel maravilhoso, com tudo para estar me sentindo pimpão, mas, no fundo, não consigo parar de pensar que já virei a curva dos 30 (e com o pé lá no fundo em direção aos 60). O terno batido, amarrotado e largado em cima da cama, é derrota no último. E Toronto, espécie de Chicago para crianças, doesn’t help that much. Aliás, para que serve o Canadá? Para fazer trilha do Titanic? Para fazer frio? Para ser o segundo maior país do mundo em extensão territorial? Para ficar atrás do Brasil no Pan?
Lembro da época em que, nos meus vinte e poucos, viajava de guia na mão, mochila nas costas, correndo atrás da night mais agitada, do quadro mais importante, da praça famosa… voltava cheio de histórias, que inventava com a maior sinceridade do mundo (sou incapaz de mentir quando invento). Águas passadas, dude – nem tudo são flores, o mundo tá aí, cada um com seus problemas: agora viajo para produzir gráficos, jantar com gente importante e falar de Ferragamos e de “Shawshank Redemption” (that was such a good movie!, I loved it), sempre num inglês de índio globalizado. De vez em quando ainda mostro meus dentes adolescentes – hoje, depois de encharcar a cara, discuti agressivamente com um francês que insistia em dizer que o nome do personagem principal de Crime e Castigo era Kafeinilkov. Dois minutinhos apenas – logo voltei aos modos de business man que venho tentando aprender, nesses jantares importantíssimos, com cascata e filhote de jacaré, em que todo mundo faz network e entende muito de vinho (vinhozinho – vinho bom é sempre “vinhozinho”, vinhozinho Bordeaux, vinhozinho chileno, um vinhozinho argentino que experimentei quando fui esquiar em Bariloche etc).
Passarei dois meses viajando. Para não afundar no tédio (e não morrer de saudades da gonga), alas!, voltarei a atualizar este blog.
“A society that does not laugh is one without an important safety valve, and a society in which people interpret crude humor not as the first step toward friendly relations, but as a mortal offense, is one in which ordinary life has become fraught with danger. Human beings who live in communities of strangers are greatly in need of laughter, if their differences are not to lead to civil war. This was one of the functions of the ethnic joke. When Poles, Irish, Jews, and Italians competed for territory in the New World to which they had escaped, they provisioned themselves with a store of ethnic jokes with which to laugh off their manifest differences.
“Ethnic humor has been studied in depth by the British sociologist Christie Davies, and his findings — in The Mirth of Nations — are a salutary reminder of the ease with which spontaneous social solutions can be confiscated by the po-faced censors who seek to govern us. The jokes and teases that Christie assembles are gestures of conciliation, in which difference is made harmless and set laughingly aside. Yet everywhere in the modern world a kind of puritanical vigilance is extinguishing the ethnic joke, condemning it as an offense against our common humanity. What was traditionally regarded as a way to prevent social conflict is now seen as a major cause of it: The ethnic joke is accused of “stereotyping,” and so tainted with the indelible stain of racism.”
Roger Scruton, sublime, em trecho de artigo publicado na The American Spectator (aqui, o texto na íntegra).
Once, when I was ranting about how people don’t know enough basic math, the victim of my tirade asked me, “Don’t you believe in the left brain/right brain theory?” to which I replied, “I believe in the big brain/small brain theory.” What I meant is that human beings have big enough brains that we can, and should, take an interest in all intellectual fields of endeavor.
Abbas Raza, no post que comemora os “1000 posts” do 3 Quarks Daily (aqui).
A pior coisa das empresas é a onda do feedback. Chefe agora não é mais chefe, é conselheiro. Chefe não dá mais ordens, dá “toques”. A vida corporativa tornou-se o próprio “Arquivo Confidencial”, um negócio pegajoso, com vários Faustõezinhos prognatas dando lição de moral e ensinando seus subordinados a separar a vida pessoal da profissional. Um repeteco diário e infernal da programação dominical da TV.
Gerentes são burgueses ridículos. Fato. Passam o dia se envergonhando de serem “táticos”, almejando serem “estratégicos” no futuro, e debochando de quem é “operacional”. São os estamentos da fábrica: a aristocracia (ou C-Level, para os metidos), a burguesia (composta dos gerentes), e o corpo operacional – i.e., a ralé, a plebe. Ia escrever também que os estagiários são os bobos, mas bobos carregam guizos.
É engraçado como certas pessoas consideram “teatro” o exemplo máximo de cultura e refinamento. Ir a peças com alguma freqüência, então, não importando muito a qual, já transforma o sujeito num Baudelaire de churrasco: “quer dizer então que você foi ver Monólogos da Vagina numa semana e Cócegas na outra?”, comenta, entre um pedaço frio de picanha e um gole de cerveja, a loirinha de saia que gosta-de-todo-tipo-de-música-às-vezes-clássica-pra-relaxar-às-vezes-funk-para-dançar, “caramba, que culto você. Já leu o Código Da Vinci? Putz, vai adorar, é super histórico”.
Ok, ok, o fato é real, mas não sou o “você” do parágrafo. Sou o cara ao lado, com bigode de espuma de cerveja, que quer ficar com a loirinha mas vai perdê-la pro mané cheio de “cultura” e boa gente. Em suma: sou o sujeito que tem um blog, que não leu Código Da Vinci, e que transformará sua frustração num post.
Da Economist desta semana:
Mass killings remain rare events, whatever outsiders might think, and they also happen in other countries [n.mg.: outros países além dos EUA], including those with tight rules on gun ownership. But life in modern America is punctuated frighteningly often by such attacks. Making any sort of accurate international comparison is tricky, but some attempts have been tried. The International Action Network on Small Arms (IANSA), an activist group, counts 41 school shootings in America since 1996, which have claimed 110 lives, including those in Virginia this week. IANSA also looks at school shootings in 80 other countries. Culling from media reports, they count only 14 school gun killings outside America in the same period. Putting aside the Beslan massacre in Russia—committed by an organised terrorist group—school shootings in all those countries claimed just 59 victims.
Ipanema, Posto 10, às 16:32h de domingo. Transeunte:- Se cunhado fosse bom, não começava com cu.