Arquivo

Arquivo do autor

meu peito tão dilacerado

Você vai num concerto qualquer, ou numa peça, ou nessas coisas meio artísticas com gente de echarpe palestina e óculos grandes. E daí o negócio é tão bom, a menina canta tão bem, o sujeito do violão tem tanto talento, que dá uma vontade enorme de protestar - pois, convenhamos, echarpe palestina deveria atrair ações secretas de agentes do Mossad.

Já aprendi que protestar é inútil e que basta esperar um pouquinho. Basta esperar o discurso entusiasmado do sujeito do violão, “ISSO É CULTURA, GENTE, UM DOS PONTOS DE FUGA CONTRA O CAPITALISMO-ESQUIZOFRENIA DE QUE FALAVA DELEUZE ANTES DE PULAR DA JANELA EM BUSCA DE SEU ÚLTIMO GOLE DE AR”.

Esses discursos são os freios de arrumação do universo. Enquanto a platéia aplaude, consigo sempre levantar da cadeira filosoficamente realizado.

Categories: Uncategorized Tags:

Um homem… feliz!

23, janeiro, 2010 marcioguilherme 1 comentário

“Tenho vos dito isto para que a Minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (João 15:11)

Eu topei com essa passagem no Evangelho de João e fiquei surpreso. São palavras de Jesus aos discípulos. Tô tão acostumado a pensar em Jesus como um homem triste, desprezado, sofredor, que nunca tinha me dado conta de que talvez Ele fosse um homem… feliz!

Categories: Cultura Tags:

Melhor case que li hoje

9, dezembro, 2009 marcioguilherme Sem comentários

Focusing on people need not mean losing sight of the big picture, design thinkers argue. George Kembel, the head of Stanford University’s Institute of Design, points to Embrace, a fledgling health firm created by a group of his former students. The problem they set out to fix was the appalling lack of proper medical care for premature babies in poor countries. One reason for this is that sophisticated incubators can cost $20,000 or more; even if a country receives the machines from donors, the lack of proper training and money for maintenance undermines their effectiveness.

Many attempts had been made to reduce the cost of such incubators, but the Stanford team took a different approach, by talking to locals in rural areas. In the process, it dawned on them that most babies in the developing world are not born in hospitals, and so are unlikely to benefit from incubators even if they are working properly. The team designed a cheap and cheerful proxy: a tiny sleeping bag made of material that, when dipped in boiling water, retains heat for hours. Embrace hopes to start selling this $25 “incubator” soon.

Daqui.

Categories: Uncategorized Tags:

Ainda linkando.

5, novembro, 2009 marcioguilherme Sem comentários

Ainda no “linking mode”, e já que dia 9 o mundo comemora 20 anos da queda do Muro de Berlim (passa tão rápido, não é mesmo, gente? – a gente pisca e all of the sudden o Politburo é tão last season…), quatro textos sobre o fim da Guerra Fria: um da Condolezza Rice (reparem na quase-referência à guerra contra o terror no final), um do escritor Frederick Forsyth, um da Baronesa Margareth Tacher (pequeno mas excelente), e, por fim, uma entrevista muito boa do Zbigniew Brzezinski, secretário de Defesa do Carter e parte do time de National Security do Bush pai (presidente americano à época da queda do Muro).

Categories: Política Tags:

Links.

3, novembro, 2009 marcioguilherme Sem comentários

Com o Reader, o Twitter, e essas coisas todas, é meio vergonha pela pessoa fazer um post de links. Mas deixa rolar, fiz um:

Na verdade, diz um artigo sensacional da Mary Elise Sarotte, o Muro de Berlim caiu porque o porta-voz do Politburo da Alemanha Oriental tava com sono, leu mal um papelzinho, se confundiu todo e acabou falando besteira numa coletiva de imprensa. (via Daniel Drezner)

Excelente entrevista da Elinor Ostrom, uma das vencedoras do Nobel de Economia deste ano (a entrevista é de 2003). Mais sobre ela aqui.

Não sei se é old news, mas descobri que a London Review of Books tá inteirinha online. De graça.

The Collected Works of the University of Chicago Bathrooms“. Podia ter saído pela “editora altovolta“, esse. =)

Aqui, os links para os textos do Krugman (e as respostas do Levitt) sobre o Capítulo 5 do “Superfreakonomics“. Aqui, um pouco do contexto.

Um sujeito autista sobrevoou Nova Iorque por 20 minutos e desenhou, de memória e com riqueza de detalhes impressionante, o skyline de Manhattan.

Branquito Muchacho. E também Kajuru. Gostaria de agradecer ao Chico Barney e a todos os envolvidos.

Perco pelo menos 5min do dia nesse LikeCool.

Por outra, gostaria de perder muitos outros no blog do Alex Ross na New Yorker. Mas o cara escreve pouco.

Descobri outro dia os blogs novos do Julio Lemos e do Mozart.

Por que saúde custa tão caro nos EUA? (vai Marginal Revolution)

Cristopher Walken entoando “Poker Face”. Duas pessoas que temo: Madonna e Cristopher Walken.

Tipo assim o melhor vídeo EVA?

“Management consultants are kind of like think tanks – they matter a great deal, but no one is precisely certain why they matter so much” – aqui. Em resposta, eu diria – “não necessariamente, mas pode ser”.

Categories: Links Tags:

Dos elogios da preguiça

1, novembro, 2009 marcioguilherme Sem comentários

“Porque pensamos bem de nós mesmos, mas não esperamos ser capazes de algum dia fazer um esboço de um quadro de Rafael ou a cena de um drama de Shakespeare, persuadimo-nos de que a capacidade para isso é algo sobremaneira maravilhoso, um acaso muito raro ou, se temos ainda sentimento religioso, uma graça dos céus. É assim que nossa vaidade, nosso amor-próprio, favorece o culto ao gênio: pois só quando é pensado como algo distante de nós, como um miraculum, o gênio não fere (mesmo Goethe, o homem sem inveja, chamava Shakespeare de sua estrela mais longínqua; o que nos faz lembrar aquele verso: “as estrelas, não as desejamos”). Mas, não considerando estes sussurros de nossa vaidade, a atividade do gênio não parece de modo algum essencialmente distinta da atividade do inventor mecânico, do sábio em astronomia ou história, do mestre na tática militar. Todas essas atividades se esclarecem quando imaginamos indivíduos cujo pensamento atua numa só direção, que tudo utilizam como matéria-prima, que observam com zelo a sua vida interior e a dos outros, que em toda a parte enxergam modelos e estímulos, que jamais se cansam de combinar os meios de que dispõem. Também o gênio não faz outra coisa senão aprender antes a assentar pedras e depois construir, sempre buscando matéria-prima e sempre trabalhando. Toda atividade humana é assombrosamente complexa, não só a do gênio: mas nenhuma é um “milagre”. – De onde vem então a crença de que só no artista, no orador e no filósofo existe gênio? de que só eles têm “intuição” (com o que lhes atribuímos uma espécie de lente maravilhosa, com a qual vêem diretamente a “essência”!). Claramente, as pessoas falam de gênio apenas quando os efeitos do grande intelecto lhes agradam muito e também não desejam sentir inveja. Chamar alguém de “divino” significa dizer: “aqui não precisamos competir”. E além disso: tudo o que está vindo a ser é subestimado. Mas na obra do artista não se pode notar como ela veio a ser; esta é a vantagem dele, pois quando podemos presenciar o devir ficamos algo frios. A arte consumada da expressão rejeita todo pensamento sobre o devir; ela se impõe tiranicamente como perfeição atual. Por isso os artistas da expressão são vistos eminentemente como geniais, mas não os homens de ciência. Na verdade, aquela apreciação e esta subestimação não passam de uma infantilidade da razão.”

(N. do B.: mas bigodón, e Mozart?)

Friedrich Nietzsche,Humano, Demasiado Humano (Aforismo 162, pág. 124 da edição da Cia. das Letras)

Categories: Filosofia Tags:

Job Voyager

20, setembro, 2009 marcioguilherme Sem comentários

Descobri um negócio legal no blog do Matthew Yglesias - o “Job Voyager“, uma ferramenta que te permite observar a da proporção da força de trabalho americana que vem exercendo uma determinada profissão ao longo do tempo (no caso, de 1850 a 2000).

A proporção de “secretárias”, por exemplo, talvez em razão da “automatização” recente de um monte de tarefas de escritório (eg, envio e recebimento de correspondências, pagamentos, agendamento de compromissos etc), vem caindo bastante:

secretaries_v2.png

A de “Engenheiros” subiu estupidamente ao longo do século passado:

engineers_v2.png

A de “Administradores” (gestores e proprietários de negócios em geral) dobrou nos últimos 30 anos, e já corresponde a 10% da PEA dos EUA (alas!, Critopher Lasch, orai por nós) -

managers_v3.png

Digitei “business consultant” e não veio nada. humpf!

Categories: Economia Tags:

Voz do povo

16, setembro, 2009 marcioguilherme Sem comentários

Imagem1.png

Você não vale nada mais eu gosto de você

Categories: Política Tags:

Dark would be a word without meaning

15, setembro, 2009 marcioguilherme 2 comentários

My argument against God was that the universe seemed so cruel and unjust. But how had I got this idea of just and unjust? A man does not call a line crooked unless he has some idea of a straight line. What was I comparing this universe with when I called it unjust? If the whole show was bad and senseless from A to Z, so to speak, why did I, who was supposed to be part of the show, find myself in such violent reaction against it? A man feels wet when he falls into water, because man is not a water animal: a fish would not feel wet. Of course I could have given up my idea of justice by saying it was nothing but a private idea of my own. But if I did that, then my argument against God collapsed too – for the argument depended on saying that the world was really unjust, not simply that it did not happen to please my fancies. Thus in the very act of trying to prove that God did not exist – in other words, that the whole of reality was senseless – I found I was forced to assume that one part of reality – namely my idea of justice – was full of sense. Consequently atheism turns out to be too simple. If the whole universe has no meaning, we should never have found out that it has no meaning: just as, if there were no light in the universe and therefore no creatures with eyes, we should never know it was dark. Dark would be a word without meaning.

C. S. Lewis,”Mere Christianity” (livro 2, final do primeiro capítulo).

Categories: Religião Tags:

The Flying Businessman

12, setembro, 2009 marcioguilherme Sem comentários

tira_02.jpg

Categories: Uncategorized Tags: